Leituras

 

Assim não dá !

 

Incentivar as crianças a revidar agressões.

Fonte: Revista Nova Escola - Ed. Outubro 2008 

 

A razão que leva uma criança a  agredir outra, verbal ou fisicamente, não é maldade pura, e sim a incapacidade de resolver a questão de outra forma. O mesmo se dá com o revide. Ao instruir que responda a um tapa, uma mordida ou um xingamento na mesma moeda, o educador ajuda a conservar a justiça retributiva, comum entre 3 e 7 anos e em sujeitos que mesmo adultos são incapazes de eleger outras alternativas. Diferentemente da construção da autonomia, é firmado o conceito de heteronomia: a pessoa só obedece as regras quando lhe convém e se existe alguém que supervisiona. O correto é guiar os pequenos para que encontrem soluções civilizadas, que envolvam diálogo, porque não se bate em ninguém, ainda que se tenha apanhado. “Por que você deixou que seu colega batesse em você?” é uma boa pergunta a ser feita, pois ajuda a despertar em quem sofreu a agressão um sentimento precursor da justiça — a indignação — que vai auxiliar na busca de uma solução correta e na conquista da autonomia. A criança não deve ficar livre para fazer o que quiser. É papel do  professor ajudá-la a pensar nas possibilidades, antecipar os resultados de suas ações e compreender o valor de regras de convivência. A tolerância é necessária para que todos convivam em harmonia e a escola, que insere a criança no mundo público, tem de tê-la como um ideal.

 

Consultoria Luciene Tognetta, pesquisadora do Laboratório de Psicologia Genética da Faculdade de Educação da Universidade Estadual de Campinas.

Reportagem de Beatriz Levischi

  


Educação infantil

 

É correto afirmar que irmãos gêmeos não devem estudar na mesma sala?

Fonte: Revista Nova Escola - Ed. Outubro 2008 

 

Sim. O ideal é que eles freqüentem espaços diferentes porque a escola é um lugar de construção de relacionamentos, onde ocorrem a formação do sujeito e o exercício de valores. É o local em que o ser humano aprende a lidar com sucessos e frustrações e conviver em grupo. Com tantos aspectos importantes e substancialmente individuais, fica difícil construir uma identidade própria com alguém do mesmo núcleo familiar e muito parecido fisicamente: as comparações entre um e outro serão constantes. A constituição como um ser único e pleno somente vai ocorrer de forma particular se os gêmeos estiverem em turmas diferentes. As experiências de cada um deles serão realmente exclusivas, principalmente na infância, etapa da vida recheada de sentimentos e lembranças.

Consultoria Liamara Salamani, coordenadora pedagógica da Educação Infantil do Colégio Santo Américo, em São Paulo.

 


Papa destaca importância da escola católica na construção da sociedade

 Qui, 25 Set, 02h17

Fonte: Yahoo Notícias

 

Cidade do Vaticano, 25 set (EFE).- O papa Bento XVI destacou hoje a importância da escola católica, que segundo ele é uma "expressão do direito de todos os cidadãos à liberdade de educação e do correspondente dever de solidariedade na construção da convivência civil".

O papa afirmou isto no discurso que pronunciou aos participantes do convênio promovido pelo Centro de Estudos para a Escola Católica (da Conferência Episcopal Italiana).

Após ressaltar a importância da escola católica "para o anúncio da fé e a promoção e formação integral do homem", o papa disse que é necessário conhecer a "preciosa contribuição (desta escola) à edificação do bem comum de toda a sociedade italiana".

Neste ponto e, diante do crescimento de escolas católicas na Itália, o Bispo de Roma reiterou o direito dos pais a escolherem a educação dos filhos e a que o estado financie as escolas católicas.

"No contexto de renovação, que se propõem aqueles que desejam o bem dos jovens e do país, deve-se favorecer a efetiva igualdade entre as escolas estatais e as escolas particulares, que ofereça aos pais a oportuna liberdade de escolha no que diz respeito às escolas às quais devem levar seus filhos", declarou o papa.

Esta não é a primeira vez que Bento XVI pede "igualdade". No dia 29 de maio, em discurso aos bispos, disse que a Itália precisa de uma nova educação e se mostrou a favor de que o Estado italiano financie a escola privada.

Ele defendeu esta posição com a seguinte frase: "em um Estado que se valoriza por promover a livre iniciativa em todos os campos, não parece se justificar a exclusão de um adequado apoio ao compromisso das instituições eclesiásticas no campo escolar".


Nossos professores não aprenderam a ensinar e, como conseqüência, nossos alunos não aprendem o que deveriam aprender"
 
Por Cláudio de Moura Castro
21/10/2008
 

Fonte: Revista Veja - Editora Abril - edição 2083 - ano 41- n.º 42/ 22 de outubro de 2008


 
Ato I. Oitocentos professores no auditório. Peço que levantem a mão aqueles que aprenderam a ensinar "regra de três" na faculdade de educação. Surpresa! Nem uma só mão levantada. Ou seja, não aprenderam como ensinar a mais útil das ferramentas matemáticas.  
 Ato II. Três mil professores no auditório. Falo com eles sobre a importância de receberem material didático bem detalhado, de forma a melhorar suas aulas e facilitar sua vida. Sou aplaudido de pé. Choram de decepção, ou de raiva, os fundamentalistas antilivros presentes ao evento. Para eles, o professor precisa inventar sua aula em vez de usar o bom material existente.
  Ato III. Eu em conversa com algumas professoras. Como elas não aprenderam na faculdade a dar aula, admitem que seus alunos servem de cobaias, enquanto elas aprendem – processo que pode durar até cinco anos. É como se num curso de cirurgia os alunos estudassem apenas a psicogênese do ato cirúrgico. Ao se formarem, teriam de inventar maneiras de operar seus pacientes, já que não as haviam aprendido no curso. Pouco a pouco, aumentaria o número de sobreviventes entre seus pacientes.  
 Os exemplos acima não têm foros de evidência científica. Contudo, refletem a direção tomada pelos cursos que formam nossos professores. Alguns diretores de escolas públicas falam com nostalgia do velho curso Normal, no qual se aprendia a dar aula. Foi substituído por faculdades de Educação, para formar orientadores nas escolas, e pelos Institutos Normais Superiores, para formar os professores de sala de aula. Mas essas últimas instituições não eram do agrado dos gurus da nossa pedagogia.
  Usando seus potentes decibéis, conseguiram o seu bloqueio pelo MEC.  
 O resultado é trágico. Hoje são formados nas faculdades de Educação não apenas os orientadores, mas a esmagadora maioria dos que vão ser professores de sala de aula. Nessas faculdades eles ouvem falar dos livros de muitos autores, vivos e defuntos, nenhum dos quais ensina a dar aula. Em compensação, estudam as mais exaltadas teorias, tais como a luta de classes, a exploração do homem pelo homem, o imperialismo cultural, os intelectuais orgânicos e a psicogênese do conhecimento. É como se a inclusão de algum fragmento de sapiência fosse condicionada a não ter nenhuma aplicabilidade na sala de aula. Piaget não ensina a alfabetizar. Portanto, isso não se aprende nessas faculdades. Resultado: os professores se sentem perdidos diante dos seus alunos.  
 O educador chileno Ernesto Schiefelbein diz que um médico pode abrir um livro de cirurgia e ficar sabendo dos procedimentos aconselhados para uma apendectomia. Um educador deveria ter também um livro que pudesse consultar quando quisesse saber como ensinar a regra de três. Só que há resistência a livros tão específicos. Para nossos gurus, é errado explicitar como se ensinam tais detalhes, embora haja ampla pesquisa mostrando que isso dá bons resultados.  
 Entalado na controvérsia está o construtivismo, uma formulação teórica acerca da epistemologia do aprendizado. Aceitemos ou não as suas formulações, elas nada dizem sobre como os livros devem ser nem como usá-los. A subsecretária de Educação da cidade de Nova York é construtivista ferrenha e confessa. E insiste nos materiais escritos que especificam, nos mínimos detalhes, como conduzir a sala de aula. No Brasil, dizem-se construtivistas os gurus furiosos contra livros detalhados. Ou seja, o uso do livro nada tem a ver com o construtivismo. Mas tem muito a ver com o bom aprendizado. A receita é simples, precisamos de livros detalhados, em mãos de professores que aprenderam a usá-los e a dar aula. Assim se faz no mundo inteiro.  
 O resultado de não preparar professores para dar aula e fazer campanha contra livros é que nem a metade dos alunos da 4ª série é funcionalmente alfabetizada (todos deveriam saber ler ao final da 1ª série). O Pisa (uma prova internacional de aproveitamento escolar) nos mostrou que 23% dos nossos alunos nem sequer atingem o nível 1, o mais baixo. No total, 86% estão abaixo do mínimo esperado. A lógica é inapelável: como os professores não aprenderam a ensinar, os alunos não aprendem o que deveriam aprender.
 
 Claudio de Moura Castro é economista


Educação, ontem e hoje
08/04/2008 10:42
Fonte: Comércio da Franca/Opinião
 

     Novelas e minisséries têm mostrado retratos fiéis dos anos dourados. Quem tem a oportunidade de acompanhar com atenção certamente se encanta com os usos e costumes daquela época áurea, um deles, o ensino ministrado por professores bem remunerados e, portanto, capazes de responder adequadamente ao que o Ministério da Educação deles exigia. Os anos dourados se entenderam por parte dos anos 50, a construção de Brasília em 1960 e década seqüente, onde se deu o apogeu do ensino no Brasil, especialmente nos Estados de São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais. Em 1900, 65% da população brasileira não sabia ler e escrever ou fazer cálculos simples e a população analfabeta era de 2/3 dos brasileiros em 1933. Entre 1942 e 1946 as leis orgânicas da Educação Nacional definiam como objetivo do ensino secundário e normal "formar as elites condutoras do País". Por ensino profissional entendia-se formação adequada dos filhos dos operários, aos desvalidos da sorte e aos menos afortunados, aqueles que necessitavam ingressar precocemente na força de trabalho. Criou-se na sociedade a idéia de que o ensino secundário ou normal e o superior se destinassem aos detentores do saber, ou do poder econômico; o ensino profissional, para aqueles que executavam as tarefas manuais. O próprio texto legal promovia a separação entre os que "pensam" e os que "fazem", sendo a educação profissional preconceituosamente considerada como de segunda categoria. Nos anos 50, o pré-primário, chamado Jardim da Infância, era freqüentado pelos filhos de classe média e rica. O primário estava reservado aos que atingiam os 7 anos, mas a evasão ainda era muito grande. Os que concluíam, adquiriam vasta base de conhecimentos, o que lhes garantia condições de trabalho em repartições públicas se não tivessem condições financeiras para seguirem estudos. Para cursar o ginasial, o aluno advindo do primário era obrigado a prestar o Exame de Admissão dado o pouco número de vagas nas escolas públicas, consideradas ilhas de excelência para onde todos desejavam ir. Cursos para o Exame prosperaram, ensinando Matemática, História do Brasil, História geral e Geografia. No primeiro ano do ginásio o estudante estaria às voltas com Latim, Inglês e Francês, Matemática, Desenho, História do Brasil, Português, Geografia, Artes manuais e Canto Orfeônico. Dez matérias, destacando-se o estudo do Latim e Português e o Canto Orfeônico no qual o aluno, com a prática do solfejo, adquiria noções de música. A cada nova série ou ano novas matérias eram incluídas em substituição de outras, até a conclusão. Havendo condições financeiras ou de tempo, não fosse o estudante obrigado a se dedicar ao trabalho, faria o colegial, em suas vertentes Científico (ciências exatas) ou o Clássico (ciências humanas). Naquele tempo, o aluno era avaliado mediante notas a que fazia jus, somadas e divididas ao final do ano para o atingimento de média mínima (7,5), sem a qual seria reprovado ou ficaria em segunda época. Não havia a aprovação automática de hoje, que empurra o estudante à frente, sem cultura adequada mas gerando economia para o Estado.
SÉRGIO FALEIROS é professor.

 

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